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Classificação Livre

Quarta a segunda, das 10h às 22h

Galerias do Térreo

Entrada gratuita, com retirada de ingresso

Normas de visitação

Entre os dias 1º de julho e 12 de outubro, o CCBB BH recebe a exposição inédita Asa de Papel – Marcelo Xavier”, que convida o público a mergulhar no universo do multiartista mineiro por meio de instalações imersivas, obras originais, experiências sensoriais e recursos de acessibilidade concebidos como parte da criação artística. 

Com curadoria de Marconi Drummond, a mostra apresenta um amplo mergulho na trajetória de Marcelo Xavier, um dos principais nomes da literatura infantojuvenil, da arte-educação e da cultura visual brasileira contemporânea, reunindo mais de quatro décadas de produção artística, em uma experiência que transforma o ato de ler em uma vivência coletiva e sensorial.  

Concebida como uma experiência imersiva, a mostra conduz os visitantes por diferentes ambientes inspirados em obras marcantes de carreira do artista. Logo na chegada, personagens criados por Marcelo recepcionam o público e anunciam o tom lúdico da visita. Em seguida, os visitantes atravessam a instalação “Asa da Palavra”, um túnel formado por superfícies espelhadas, letras suspensas e paisagens sonoras que introduzem o universo do artista. A partir daí, o percurso se desdobra em diferentes ambientes inspirados em livros marcantes de sua trajetória, combinando instalações, videografias, objetos, desenhos, esculturas, sons e experiências interativas. 

Entre os destaques está o núcleo dedicado a “Asa de Papel”, obra considerada uma das mais emblemáticas de sua carreira. O espaço reúne projeções, ambientes multissensoriais e o chamado Gabinete MX, uma espécie de museu afetivo do artista, composto por fotografias, desenhos, objetos pessoais, sons e memórias. Gavetas podem ser abertas pelo público, revelando histórias, referências e processos criativos que ajudam a compreender a construção de uma das obras mais originais da cultura brasileira contemporânea. 

A mostra também apresenta ambientes inspirados em livros como “Mitos”, “Festas”, “Tem de Tudo Nesta Rua”, “Truques Coloridos”, “O Dia a Dia de Dadá” e “Se Criança Governasse o Mundo”. Em cada núcleo, temas recorrentes da produção de Marcelo Xavier ganham novas camadas de interpretação: a infância como território de invenção, a valorização da cultura popular, a convivência com as diferenças, a ocupação afetiva da cidade, a imaginação como ferramenta de transformação social e a defesa de um mundo mais inclusivo. 

Asa de Papel – Marcelo Xavier” fica em cartaz nas Galerias do Térreo, com entrada gratuita. Os ingressos estarão disponíveis a partir de 24/06 (quarta-feira), no site ccbb.com.br/bh em nossa bilheteria. 

Inclusão e Acessibilidade

A trajetória pessoal de Marcelo Xavier ocupa um lugar central na narrativa da exposição. Cadeirante e convivendo há mais de duas décadas com os efeitos da Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), o artista transformou sua experiência com a deficiência em uma poderosa reflexão sobre autonomia, pertencimento e inclusão.  

Essa perspectiva atravessa toda a concepção da mostra e ganha força especial na proposta de acessibilidade. Em vez de aparecer como recurso complementar, ela foi incorporada desde o início como princípio estruturante da curadoria e da expografia. O projeto reúne experiências táteis, audiodescrição, conteúdos em Libras, textos em Braille, mobiliário acessível, mediações inclusivas, audioguias e dispositivos de interação que contemplam diferentes formas de percepção e participação. 

A proposta de acessibilidade, desenvolvida pela especialista Luciana Miglio, parte do conceito de “perceber em plural” e entende a experiência cultural como um processo construído por múltiplos sentidos. Maquetes táteis, objetos disponíveis para toque, conteúdos sonoros, recursos visuais acessíveis e percursos pensados segundo os princípios do Desenho Universal fazem da exposição um espaço de pertencimento e autonomia. Em sintonia com a própria trajetória do artista, a mostra propõe uma experiência em que diversidade e convivência deixam de ser temas para se tornarem práticas concretas. 

Artistas Participantes

 

Artista visual, educador e pesquisador, Leo Piló desenvolve uma trajetória marcada pela experimentação com materiais não convencionais, pela valorização dos processos manuais e pela criação de diálogos entre arte, natureza e cotidiano. Mineiro de Belo Horizonte, sua produção articula desenho, escultura, instalação e práticas colaborativas, transformando resíduos, objetos reaproveitados e elementos naturais em experiências poéticas e educativas.  

  

Na exposição, Piló apresenta a instalação “Nhe’ẽ ry”, título inspirado na expressão guarani utilizada para designar a Mata Atlântica e que pode ser traduzida como “lugar onde os espíritos se banham”. A obra, baseada na trilogia de livros intitulada “O Folclore do Mestre André”, convida o público a atravessar um ambiente imersivo que evoca a força vital das florestas, suas múltiplas formas de vida e as relações de interdependência entre seres humanos, seres encantados – o Boitatá, o Saci Pererê e o Curupira – além de animais e plantas. Construída a partir de materiais reutilizados e processos artesanais (papel e papelão), a instalação transforma a galeria em um espaço de descoberta e encantamento. 

 

 

Dânova Neres é artista visual, graduado em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da UFMG, com habilitação em Artes Gráficas e Desenho. Sua produção permeia assuntos que o atravessam enquanto artista negro, periférico e pessoa com deficiência.  

  

Syl Triginelli é artista e arte-educadore não-binária, graduanda em Artes Visuais pela Escola de Belas Artes da UFMG, com estudos em gravura, desenho e artes gráficas. Sua prática artística é atravessada por experiências ligadas à neurodivergência, explorando modos plurais de percepção, comunicação e criação. 

  

Convidados pela curadoria da exposição, ambos apresentam a obra “Rastros”, uma proposição artística que transforma a cadeira de rodas em instrumento de criação, reflexão e visibilidade. A partir de uma ação colaborativa, os artistas produzem registros gráficos que tomam o deslocamento pelo espaço urbano como matéria poética, evidenciando experiências frequentemente marcadas por obstáculos, desvios e ausências de acessibilidade.  

  

Na obra, a cadeira de rodas é utilizada como matriz para a produção de monotipias. Seus percursos deixam marcas sobre o papel, convertendo movimentos em vestígios visuais e transformando trajetórias cotidianas em narrativas gráficas. As impressões resultantes revelam camadas de deslocamento, encontros, interrupções e caminhos possíveis, propondo uma reflexão sobre como os corpos ocupam e experienciam a cidade. A instalação é complementada por dioramas e outros elementos expositivos que ampliam a experiência visual, configurando uma paisagem de vestígios, deslocamentos e memórias.  

 

 

Artista visual, designer e tatuador, Matheus Dias vive e trabalha em Belo Horizonte. Sua trajetória reúne diferentes campos da criação visual – da arte ao design, da arquitetura à tatuagem – em uma prática marcada pelo desenho como linguagem fundamental. Ao longo de sua carreira, desenvolveu projetos autorais, atuou em estúdios de design e consolidou seu trabalho no estúdio de tatuagem Selva, onde o desenho permanece como ferramenta central de invenção e expressão. 

  

Na exposição, Dias é responsável pela realização de uma pintura-mural de grande escala, inspirada no livro “Caderno de Desenhos” (2008). A intervenção ocupa uma das salas expositivas e transforma o espaço em uma experiência imersiva, povoada por personagens fantásticos, figuras híbridas e imagens em constante movimento.  

  

Partindo dos desenhos de Marcelo Xavier, o artista cria uma ampla composição-mural que expande as páginas do livro para a arquitetura. O que antes habitava o papel ganha dimensão ambiental, envolvendo o público em um universo lúdico e imaginativo. A galeria converte-se em uma espécie de caverna contemporânea, onde desenhos parecem dançar pelas paredes e pelo teto. 

 

Galeria

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28/03/26 a 22/06/26

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