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31/07/26 a 09/08/26
31 de julho a 9 de agosto, confirme os horários na programação
Cine Glauber Rocha: Praça Castro Alves, 5 – Centro; Cine Lankiana: Avenida Aliomar Baleeiro, Km 10,5, nº 15, Fazenda Grande 4.
Evento gratuito (Ingressos disponíveis na bilheteria e no site www.bb.com.br/cultura) - em breve
Entre os dias 31 de julho a 9 de agosto, Salvador recebe a Mostra Pitanga, maior retrospectiva cinematográfica dedicada à trajetória do ator e diretor Antônio Pitanga, um dos nomes mais emblemáticos do Cinema Novo e do protagonismo negro no audiovisual brasileiro.
Realizada pelo Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e com curadoria de Camila Pitanga e Thiago Ortman, a mostra reúne 29 filmes, entre longas, médias e curtas-metragens, além de sessões comentadas, debates e cursos. A programação é gratuita e será exibida no Cine Glauber Rocha (Centro) e no Cine Lankiana (Cajazeiras). O projeto é realizado pela Lúdica Produções, com coordenação-geral de Diogo Cavour e produção-executiva de Ana Gabriela Dickstein.
Com quase 70 anos de carreira e cerca de 100 filmes no currículo, Antônio Pitanga tem papel fundamental na construção do cinema brasileiro. Dessa rica trajetória, a curadoria destaca clássicos do Cinema Novo, movimento do qual Pitanga foi um dos artistas mais marcantes, além de obras raras e produções contemporâneas de sua participação como ator e diretor.
Para a curadoria, a construção da mostra exigiu um olhar atento para uma trajetória artística extensa e diversa. “A ideia foi construir um arco que dialogasse com esse panteão do cinema brasileiro e com os filmes mais importantes da carreira do meu pai até os dias de hoje. É interessante perceber como essa trajetória conecta diretores consagrados e estreantes, diferentes momentos da história do país e questões que seguem dialogando com o presente e com o futuro”, afirma a filha do homenageado e uma das curadoras da mostra, Camila Pitanga.
Entre os destaques da retrospectiva estão os longas Barravento (1961) e A Idade da Terra (1980), de Glauber Rocha; Ganga Zumba (1963) e A Grande Cidade (1966), de Cacá Diegues, além de O Pagador de Promessas (1962), de Anselmo Duarte, primeiro filme brasileiro a concorrer ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro e único da história a conquistar o prêmio máximo do Festival de Cannes – hoje denominado Palma de Ouro.
A programação apresenta ainda títulos raros e menos conhecidos da filmografia do ator, como o curta-metragem Colagem (1968), de David Neves, e o contemporâneo Bom dia, eternidade (2010), de Rogério de Moura. Alguns filmes serão exibidos em versões restauradas, como A grande feira (1961) e Tocaia no asfalto (1962), dois longas do cineasta baiano Roberto Pires, precursor do Cinema Novo; além do já mencionado Barravento (1961), de Glauber Rocha, e A Mulher de Todos (1969), de Rogério Sganzerla.
A curadoria também apresenta um mergulho no papel de Pitanga em momentos decisivos da cultura e traz obras que abordam questões sociais e raciais em meio à ditadura militar, como Jardim de guerra (1968), de Neville D'Almeida, e Compasso de espera (1973), de Antunes Filho.
Como diretor, Pitanga fez parte de uma geração que, junto com Odilon Lopez, Zózimo Bulbul e Waldyr Onofre, teve papel central na abertura de espaço para o cinema negro no Brasil. A mostra inclui suas duas obras como diretor, Na boca do mundo (1978), estreia de Pitanga na direção, e Malês (2025), que venceu o Troféu Jangada de Melhor Filme no Festival de Cinema Brasileiro de Paris.
Nascido e criado no Pelourinho e frequentador do bairro Dois de Julho, onde admirava os atores do Clube Fantoches da Euterpe, Antônio Luiz Sampaio começou sua história no cinema em Salvador (BA), sua cidade natal. Sua estreia aconteceu em 1960, com o longa Bahia de Todos os Santos, de Trigueirinho Neto, no qual ganhou o papel de Pitanga, nome que adotou para si desde então. O filme também está na programação da mostra.
Para o artista homenageado, trazer essa mostra para Salvador tem um significado profundamente afetivo e simbólico. “É um reconhecimento e um agradecimento enorme que a Bahia me proporcionou, porque o Cinema Novo foi uma grande revolução brasileira, dando protagonismo ao povo brasileiro. Sou um baiano em festa, sendo homenageado e abraçado pela minha Bahia”, celebra Antônio Pitanga.
O curador Thiago Ortman explica que a passagem da mostra por Salvador permite evidenciar também a relação profunda entre a carreira de Pitanga e a história cultural da cidade. “Para mencionar somente dois filmes, podemos falar de A Grande Feira, de Roberto Pires, que tem como episódio o fim da Feira Água de Meninos, nos anos 1960, e O Pagador de Promessas, um filme que tem como cenário, por seu clímax, a Igreja do Santíssimo Sacramento do Passo, localizada no Pelourinho”.
PROGRAMAÇÃO CINE GLAUBER ROCHA
31/7 – Sexta
18h30 — Curtas especiais: Sessão de curtas: Premonição (Pedro Abib, 2011) —13 min; O velho rei (Ceci Alves, 2013) — 10 min; Olhos de Cachoeira (Adler Paz, 2020) — 20 min.
1/8 – Sábado
13h40 — Bahia de Todos os Santos (José Trigueirinho Neto, 1960) — 12 anos / 100 min.
15h40 — Pitanga (Beto Brant e Camila Pitanga, 2016) — livre / 113 min.
18h — Mesa 1: “Pitanga e seu legado”, com Antonio Pitanga, Lia Robatto, Glenda Nicácio e Aldri Anunciação (mediação) – 14 anos / 90 min. / COM LIBRAS
2/8 – Domingo
10h30 — Sessão com acessibilidade: Malês (Antonio Pitanga, 2024) — 16 anos / 113 min.
14h — A grande feira (Roberto Pires, 1961) — 14 anos / 93 min.
16h — Barravento (Glauber Rocha, 1961) — 12 anos / 78 min.
18h — Mesa 2: “A escrita com o corpo: Antonio Pitanga e o cinema brasileiro”, com Thamires Vieira, Marcos Alexandre e Victor Uchôa (mediação) — 14 anos / 90 min.
4/8 – Terça
15h — Tocaia no asfalto (Roberto Pires, 1962) — 18 anos / 101 min.
17h10 — Esse mundo é meu (Sérgio Ricardo, 1964) — 12 anos / 79 min.
19h — A grande cidade (Cacá Diegues, 1966) — 12 anos / 83 min.
5/8 – Quarta
14h — Curso (dia 1): “Cinemas negros: histórias, escritas e percursos”, com Izabel Melo — 14 anos / 90 min.
16h20 — Uma nega chamada Tereza (Fernando Coni Campos, 1973) — 14 anos / 80 min.
18h — A mulher de todos (Rogério Sganzerla, 1969) — 14 anos / 93 min.
20h — Menino de engenho (Walter Lima Jr., 1965) — 12 anos / 110 min.
6/8 – Quinta
14h — Curso (dia 2): “Cinemas negros: histórias, escritas e percursos”, com Izabel Melo — 14 anos / 90 min.
16h — Câncer (Glauber Rocha, 1972) — 12 anos / 86 min.
18h — A idade da Terra (Glauber Rocha, 1980) — 14 anos / 148 min.
7/8 – Sexta
14h — Curso (dia 3): “Cinemas negros: histórias, escritas e percursos”, com Izabel Melo — 14 anos / 90 min.
16h30 — Bom dia, eternidade (Rogério de Moura, 2010) — 12 anos / 87 min.
18h30 — Um dia com Jerusa (Viviane Ferreira, 2020) — 12 anos / 74 min.
20h10 — O pagador de promessas (Anselmo Duarte, 1962) — livre / 91 min.
8/8 – Sábado
13h — Casa de antiguidades (João Paulo Miranda Maria, 2020) — 14 anos / 87 min.
15h — Jardim de guerra (Neville D'Almeida, 1968) — 12 anos / 91 min.
17h — Compasso de espera (Antunes Filho, 1973) | Sessão comentada com Lorenna Rocha — 14 anos / 94 min. + 60 min.
20h — Colagem (David Neves, 1968) + Na boca do mundo (Antonio Pitanga, 1978) — 14 anos / 112 min.
9/8 – Domingo
13h — Programa de curtas 2: Tudo que é apertado rasga (Fabio Rodrigues Filho, 2019) — 14 anos / 27 min.;
Premonição (Pedro Abib, 2011) — 12 anos / 13 min.;
O velho rei (Ceci Alves, 2013) — livre / 10 min.;
Olhos de Cachoeira (Adler Kibe Paz, 2020) — 18 anos / 20 min. — total: 80 min.
14h40 — Ganga Zumba (Cacá Diegues, 1963) — 12 anos / 102 min.
16h50 — Ladrões de cinema (Fernando Coni Campos, 1977) — 12 anos / 127 min.
19h20 — Malês (Antonio Pitanga, 2024) — 16 anos / 114 min
PROGRAMAÇÃO CINE LANKIANA
1/8 — Sábado
16h — Água de Meninos — A feira do Cinema Novo (Fabíola Aquino, 2012) — livre / 52 min.
17h15 — A grande feira (Roberto Pires, 1961) — 14 anos / 93 min.
19h — Barravento (Glauber Rocha, 1961) — 12 anos / 78 min.
2/8 — Domingo
14h — Malês (Antonio Pitanga, 2024) — 16 anos / 114 min. + Conversa com Antonio Pitanga / 60 min.
17h30 — Um dia com Jerusa (Viviane Ferreira, 2020) — 12 anos / 74 min.
7/8 — Sexta
9h às 12h – Sessão Escola: exibição de Malês (Antonio Pitanga, 2024) para estudantes + bate-papo com professores.
8/8 — Sábado
16h — Fernando Coni Campos: Cada um Vive como Sonha (Luis Abramo e Pedro Rossi, 2025) — 12 anos / 89 min.
18h — Pitanga (Beto Brant e Camila Pitanga, 2016) — livre / 113 min.
9/8 — Domingo
15h — Compasso de espera (Antunes Filho, 1973) — 14 anos / 94 min.
17h — Na boca do mundo (Antonio Pitanga, 1978) — 14 anos / 100 min.
CINE GLAUBER ROCHA
1/8 – Sábado
18h às 19h30 – Mesa 1: “Pitanga e seu legado”.
Resumo: Bate-papo com Antonio Pitanga, Lia Robatto, Glenda Nicácio e Aldri Anunciação (mediação).
A mesa irá abordar as histórias e o contexto de Salvador nas décadas de 1950 e 1960, momento em que Pitanga surgiu no cinema, além de refletir sobre a importância da obra do ator para a cultura brasileira.
2/8 – Domingo
10h30 às 12h30 – Sessão com acessibilidade: Malês (Antonio Pitanga, 2024) — 16 anos | 113 min.
Resumo: Exibição do filme Malês (Antônio Pitanga, 2024) com recursos de audiodescrição, legenda descritiva e Libras, com apoio da AD)))arte Acessibilidade.
18h às 19h30 – Mesa 2: “A escrita com o corpo: Antonio Pitanga e o cinema brasileiro”.
Resumo: Bate-papo com Marcos Alexandre, Thamires Vieira e Victor Uchôa (mediação).
A proposta desta mesa será discutir o corpo como gesto político, a fala e o ato de filmar, movimentos que envolvem diretamente o trabalho de Pitanga, avançando sobre os aspectos de seu trabalho no âmbito da questão negra e suas lutas no campo artístico e social ao longo de tantas décadas.
5, 6 e 7/8 (quarta a sexta)
14h às 15h30 – Curso “Cinemas negros: histórias, escritas e percursos”, com Izabel Melo
Ementa: A escrita da história do cinema se estrutura por marcos referenciais que organizam o nosso olhar e compreensão, mobilizando categorias e perspectivas que agenciam regimes de visibilidade e/ou ocultamentos, atingindo pessoas, procedimentos e obras, por exemplo.
Pensando a história e sua escrita como processo, nos interessa aqui problematizar e dialogar como os cinemas negros incidem e propõem outras possibilidades de pensar o cinema brasileiro em sua multiplicidade de objetos e temas.
8/8 – Sábado
17h às 19h30 – Sessão comentada: Compasso de espera, de Antunes Filho, e Colagem, de David Neves.
Após o filme haverá uma conversa com a pesquisadora e crítica de cinema Lorenna Rocha.
CINE LANKIANA
2/8 — Domingo
Sessão comentada com Antonio Pitanga:
14h às 17h — Exibição do filme Malês (Antonio Pitanga, 2024) + Conversa com Antonio Pitanga sobre a realização da obra e sua trajetória profissional.

LONGAS
A GRANDE CIDADE | Cacá Diegues | 1966 | 83 min.
Em busca de uma vida melhor, Luzia deixa o Nordeste do Brasil e vai para o Rio de Janeiro, onde está seu noivo, que partiu na frente para abrir caminho para os dois. Sozinha na Cidade Maravilhosa, ela se vê obrigada a aceitar a amizade e a proteção de Calunga, e, mais tarde, a companhia de Inácio. Pelo papel neste filme, Antonio Pitanga venceu o prêmio de Melhor Ator Coadjuvante do Festival de Brasília (1966).
A GRANDE FEIRA | Roberto Pires | 1961 | 93 min.
Em Salvador, os comerciantes da feira Água de Meninos estão inquietos com a tentativa do governo de mudá-los para outro local. Alguns tentam negociar, como o sindicalista Neco, enquanto outros querem partir para a violência. Alheio a isso, o marinheiro Ronny vai parar no hospital após ser ferido à navalha pela prostituta Maria da Feira. O amante dela, o assassino Chico Diabo, é perseguido pela polícia e, como vingança, decide explodir os depósitos de combustível localizados próximos à feira.
A IDADE DA TERRA | Glauber Rocha | 1980 | 148 min.
Quatro personificações distintas de Cristo – um negro, um militar, um indígena e um guerrilheiro – tornam-se os cavaleiros do apocalipse, que lutam contra a ganância e a violência “civilizatória” de John Brahms, um explorador imperialista inescrupuloso. Filme experimental de Glauber Rocha inspirado no assassinato de Pier Paolo Pasolini. Foi indicado ao Leão de Ouro no Festival de Cinema de Veneza de 1980.
A MULHER DE TODOS | Rogério Sganzerla | 1969 | 93 min.
Ângela Carne e Osso, uma jovem ninfomaníaca, vive cercada por delinquentes e exerce intenso fascínio sobre eles, dominando-os com seu poder erótico.
BAHIA DE TODOS OS SANTOS | José Trigueirinho Neto | 1960 | 100 min.
Tonho faz parte de um grupo de amigos inconformados com o marasmo e a rotina opressiva de Salvador durante a ditadura de Getúlio Vargas. Rejeitado pela família, ele sobrevive de pequenos furtos no porto e enfrenta tensões sociais, políticas e religiosas. Dividido entre a relação com sua amante inglesa, que deseja afastá-lo do grupo, e seu envolvimento com grevistas, Tonho se vê em um turbilhão de conflitos que colocam sua liberdade e lealdade à prova. Trata-se do primeiro filme de Antonio Pitanga, no papel que deu origem ao seu nome artístico.
BARRAVENTO | Glauber Rocha | 1961 | 78 min.
Numa aldeia de pescadores habitada por descendentes de africanos outrora escravizados, permanecem antigos cultos místicos ligados ao candomblé. A chegada de Firmino, antigo morador que se mudou para Salvador fugindo da pobreza, cria tensões quando ele tenta livrar os pescadores do domínio da religião. Primeiro longa-metragem de Glauber Rocha.
BOM DIA, ETERNIDADE | Rogério de Moura | 2010 | 87 min.
O filme conta a história de Clementino, que na juventude foi um famoso jogador de futebol, tendo participado da Copa do Mundo de 1958. Na maturidade, torna-se um homem amargo, que vive das lembranças do passado, na companhia da mulher, Odete, um misto de
esposa, mãe e enfermeira. Um dia, um acontecimento mágico muda a vida do casal.
CÂNCER | Glauber Rocha | 1972 | 86 min.
No Rio de Janeiro, em 1968, em meio à turbulência política da época, um homem negro carioca, malandro típico, encontra-se com o receptador de seus pequenos golpes. Entre eles, move-se de modo escorregadio uma loura sensual, que contempla um e outro alternadamente com seus carinhos. Sob esta estrutura relativamente prosaica, Câncer traça um painel daquele momento brasileiro, flagrando com câmera nervosa detalhes de um Rio que não existe mais e onde aparece, quase como um personagem do filme, a antiga Cinelândia.
CASA DE ANTIGUIDADES | João Paulo Miranda Maria | 2020 | 87 min.
Cristóvam, natural do sertão, trabalha em uma fábrica de leite em uma ex-colônia austríaca no Brasil. Ele se sente solitário, condenado ao ostracismo pelas diferenças culturais e étnicas. Um dia, ele descobre uma casa abandonada repleta de objetos que o fazem lembrar de suas origens. Curiosamente, mais objetos começam a aparecer, sem explicação, como se o lugar fosse vivo. Antonio Pitanga recebeu prêmio de Melhor Ator no Festival de Lima, no Peru, e no Festival de Colônia, na Alemanha.
COMPASSO DE ESPERA | Antunes Filho | 1973 | 94 min.
Jorge, um poeta negro, é amante de uma empresária branca e rica. Em uma reunião de um círculo de intelectuais paulistanos, ele conhece Cristina, outra moça branca de família abastada, e se apaixona. O relacionamento enfrenta preconceitos de todos os lados, e Jorge se vê brigando com as duas famílias e toda a sociedade, enquanto a ex-amante ainda o procura.
ESSE MUNDO É MEU | Sérgio Ricardo | 1964 | 79 min.
Na Favela do Esqueleto, vivem dois homens bastante diferentes, mas com a mesma necessidade: dinheiro para realizar seus sonhos. Um deles, metalúrgico, é obrigado a deixar de lado a ideia de ter um filho, pois não consegue receber aumento de salário. O outro, engraxate, precisa arranjar uma bicicleta para conquistar sua amada e acaba recorrendo ao roubo.
FERNANDO CONI CAMPOS: CADA UM VIVE COMO SONHA | Luis Abramo e Pedro Rossi | 2025 | 89 min.
A trajetória não linear e além do tempo de Fernando Coni Campos, um dos grandes artistas e contadores de histórias do cinema brasileiro. Autor de filmes premiados, como Viagem ao fim do mundo (1968), Ladrões de cinema (1977) e O mágico e o delegado (1983), Fernando era um homem que detinha o dom dos sonhos lúcidos. Como uma espécie de manual aos perplexos, este filme busca desvendar seu pensamento, impresso em seus filmes, poemas
e nas elucubrações que fazia em torno da criação artística e do cinema. Como dizia Fernando, cinema é a arte de se escapar da censura, seja ela política, econômica ou social.
GANGA ZUMBA | Cacá Diegues | 1963 | 102 min.
Baseado no livro de João Felício dos Santos, o longa narra a jornada do líder Ganga Zumba e seu grupo, da fuga do cativeiro até o Quilombo dos Palmares. Primeiro longa-metragem de Cacá Diegues.
JARDIM DE GUERRA | Neville D’Almeida | 1968 | 91 min.
Um jovem sem perspectivas se apaixona por uma cineasta. Precisando de dinheiro, ele aceita transportar uma mala, mas acaba sendo preso e severamente torturado por uma organização de direita, sob a acusação injusta de terrorismo. Foi o filme mais censurado do cinema brasileiro, com quarenta e oito cortes.
LADRÕES DE CINEMA | Fernando Coni Campos | 1977 | 127 min.
Uma comédia brasileira que conta a história de moradores de uma comunidade do Rio de Janeiro. Após roubarem os equipamentos de uma equipe de cineastas de Hollywood, eles decidem produzir seu próprio filme sobre a Inconfidência Mineira.
MALÊS | Antonio Pitanga | 2024 | 114 min.
Dois jovens prestes a se casar são arrancados de sua terra natal, na África, e trazidos para o Brasil à força, como escravizados. Enquanto lutam para sobreviver e tentar se reencontrar, os dois se envolvem no levante dos malês. Segundo longa-metragem dirigido por Antonio Pitanga. Ganhou o Troféu Jangada de Melhor Filme pelo júri popular na 28ª edição do Festival de Cinema Brasileiro de Paris.
MENINO DE ENGENHO | Walter Lima Jr. | 1965 | 110 min.
Na década de 1920, após a morte de sua mãe, o menino Carlinhos é enviado para o engenho Santa Rosa para ser criado pelo avô. Lá, ele testemunha a chegada de um novo tempo, com o advento das modernas usinas de açúcar e as transformações econômicas e sociais pelas quais passa a produção canavieira, mudanças que irão afetar a vida de todos.
NA BOCA DO MUNDO | Antonio Pitanga | 1978 | 100 min.
Antônio, um pescador negro que agora trabalha em um posto de gasolina, vive na pequena cidade litorânea de Atafona. Sua maior ambição é juntar dinheiro para se mudar para uma cidade grande com sua noiva, uma jovem que vende caranguejos frescos aos moradores locais e sonha com uma vida melhor. Quando uma mulher branca e rica, da alta sociedade, chega ao local, Antônio se aproxima dela e começa a mudar seus planos. Primeiro longa metragem dirigido por Antonio Pitanga.
O PAGADOR DE PROMESSAS | Anselmo Duarte | 1962 | 91 min.
Depois que seu asno de estimação é atingido por um raio, Zé do Burro faz a promessa de carregar nas costas uma imensa cruz de madeira até a igreja de Santa Bárbara, situada a 40 quilômetros de onde ele vive. Zé do Burro é acompanhado fielmente por sua esposa, Rosa, ao longo do percurso. No entanto, a jornada que era para ser de realização acaba se tornando um pesadelo. Único filme brasileiro até hoje a conquistar a Palma de Ouro, prêmio máximo do Festival de Cannes. Também foi o primeiro filme brasileiro a ser indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
PITANGA | Beto Brant e Camila Pitanga | 2016 | 113 min.
O documentário narra a carreira de Antônio Pitanga, um dos maiores atores do cinema nacional, que esteve no centro das grandes inquietações artísticas do país. O longa mescla trechos de sua carreira com depoimentos de amigos e intelectuais, como Caetano Veloso, além de explorar seus laços afetivos e seu papel fundamental na representação do profissional negro nas artes.
TOCAIA NO ASFALTO | Roberto Pires | 1962 | 101 min.
Rufino, um matador de aluguel, é mandado para a Bahia, onde deve assassinar o Coronel Pinto Borges, a mando do Coronel Domingos. Na Bahia, Borges dá uma festa para lançar sua candidatura ao governo do estado, mas agora, além de estar marcado para morrer, ele também está sendo investigado pelos crimes que cometeu.
UM DIA COM JERUSA | Viviane Ferreira | 2020 | 74 min.
Silvia é uma jovem pesquisadora de mercado que, ao bater na porta de Jerusa, é surpreendida pelas respostas nada convencionais da senhora. A partir desse encontro entre duas gerações, elas passam a compartilhar um sentimento comum de ancestralidade.
UMA NEGA CHAMADA TEREZA | Fernando Coni Campos | 1973 | 80 min.
Jorge Ben estrela este filme cujo título faz referência à letra da canção País tropical. Jorge é o protagonista de uma história de fantasia em que um casal de africanos chega ao Brasil para conhecer o país e participar do Festival Internacional da Canção. Filme raro de Fernando Coni Campos, que nunca chegou a sua montagem final.
CURTAS
ÁGUA DE MENINOS – A FEIRA DO CINEMA NOVO | Fabíola Aquino | 2012 | 52 min.
O documentário resgata a memória da Água de Meninos, feira de Salvador incendiada em setembro de 1964 e que foi tema de dois filmes, A grande feira e Sol sobre a lama. O curta apresenta materiais de origens diversas: recortes de jornais, entrevistas com antigos feirantes, antropólogos, urbanistas, pais de santo e pessoas ligadas ao local, além de trechos de filmes e filmagens in loco. Antonio Pitanga é um dos entrevistados.
COLAGEM | David Neves | 1968 | 12 min.
Filme-ensaio que promove o encontro entre Antonio Pitanga e Luiza Maranhão, atores que corporificam a expressão de uma ideia, um movimento, uma luta: o Cinema Novo.
O VELHO REI | Ceci Alves | 2013 | 10 min.
A partir de um pedido inusitado de sua filha Cleonice, que vive fora do país, Climério passa a gravar sua rotina e tudo o que vê à sua volta, com uma câmera enviada por ela.
OLHOS DE CACHOEIRA | Adler Kibe Paz | 2020 | 20 min.
Carlos Eugênio decide escrever suas memórias com a ajuda de Mônica, uma jovem que traz nova vida para a fazenda dele, às margens do Rio Paraguaçu.
PREMONIÇÃO | Pedro Abib | 2011 | 13 min.
Ambientada na década de 1950 no Pelourinho, em Salvador, a narrativa trata das incertezas e medos da alma. Seu Antero, dono de um botequim, atende a um estranho freguês. A partir daí, a atmosfera do lugar se transforma completamente.
TUDO QUE É APERTADO RASGA | Fabio Rodrigues Filho | 2019 | 27 min.
Este filme intervém em imagens de arquivo para reestudar parte da cinematografia nacional à luz da presença e da agência do ator e da atriz negra.







Retrospectiva: Mostra Pitanga
Locais: Cine Glauber Rocha e Cine Lankiana
Endereço: Praça Castro Alves, 5 – Centro, Salvador (Cine Glauber Rocha) e Avenida Aliomar Baleeiro, Km 10,5, nº 15, Fazenda Grande 4 (Cine Lankiana)
Período: 31 de julho a 9 de agosto, confirme os horários na programação
Entrada Gratuita: Ingressos disponíveis na bilheteria e no site www.bb.com.br/cultura
Classificação: indicativa de cada filme na programação
pelo App BB
Aponte aqui a câmera do seu celular, baixe o App BB e abra sua conta. Simples assim.